quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

A violência no Brasil

É difícil, ou quase impossível, definir um fator responsável pelo aumento da violência no Brasil. Associar estado de pobreza não deve ser o caminho mais certeiro, uma vez que tivemos crescimento econômico e, embora modestamente, a concentração de renda e a miséria no Brasil diminuíram.
Hoje foi publicado um estudo em São Paulo que aponta o crescimento de 124% no número de homicídios em todo o país nos últimos trinta anos. http://noticias.uol.com.br/cotidiano/2011/12/14/homicidio-cresce-mais-no-interior-que-nas-capitais-aponta-mapa-da-violencia.jhtm
Assim, mais uma vez, somos obrigados a nos deparar com índices alarmantes nos aspectos que envolvem a vida coletiva.
Claramente a questão da violência é afetada por uma combinação de fatores que, por muitas vezes e na sua maioria, são resultantes da omissão do Estado na prática de regulamentar as práticas da sociedade civil e fiscalizá-la de forma imparcial, prudente e preventivamente.
Os valores, hábitos e costumes das pessoas mudaram. A dificuldade de punir é um fato inquestionável, senão a falta de vontade em fazê-lo. Assistimos aos telejornais com a expressão de normalidade ao vermos os absurdos e abusos que lá são apresentados. Até quando a sociedade assistirá a tudo isso como se estivesse na cadeira de uma sala de cinema?
As pessoas se matam no trânsito, no tráfico de drogas, na balada, na periferia, na escola e etc. Realmente é uma situação mais que alarmante, pois alcançamos a marca de 1,1 milhão de homicídios em trinta anos.  
O Brasil parece viver um momento em que a Lei só existe e pune àqueles que têm residência fixa e que estão ao fácil “alcance” da Justiça. Muitos casos somente são solucionados porque a imprensa faz “marcação” dura com o Estado cobrando uma atitude.
Muitos pais choram ao verem seus filhos vítimas da violência que hoje não é exclusividade urbana, pois já está alastrada às cidades do interior. Assim como filhos também choram seus pais mortos em serviço.
Tamanha hipocrisia a nossa quando julgamos sermos justos, dignos, solidários e demais atributos semelhantes como se estivéssemos mais preocupados em propagar nossa imagem de “bom” cidadão ao invés de agir de verdade. Enquanto não “lutarmos” pacificamente, mas com o rigor merecido, exigindo uma inversão neste cenário, somente teremos a lamentar pelos homicídios vistos nos telejornais, até o dia em que acontece “dentro” de nossa casa, aí lamentaremos de verdade e com a dor oportuna.
A impunidade, a corrupção, a educação precária, a banalização da vida humana e a falta de valores de civilidade são, sem dúvida, os “pilares” da violência.

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

ENSINANDO CONTABILIDADE

Dizia o doutor Antonio Lopes de Sá sobre o ensino da contabilidade :


"Ensino demasiadamente pragmático, a teoria dissociada da realidade, a escolha de más orientações pedagógicas.... não se trata de preparar um profissional para ser dócil a esta ou aquela tendência a titulo de harmonizar práticas."


Suas palavras ainda soam como música e encantamento, mormente quando refere-se aos CPC´s e IFRS tão endeusados pelos contadores : 

" A ciência se construiu mais ao sabor de gênios que de pactos ou assembléias de profissionais. As teses de Galileu, Newton, Einstein, Planck e outros gênios não se derivaram de "comissões" (CPC), nem de "institutos internacionais" (IFRS)."

Quanto a tarefa dos professores, monitores ou seja lá quais nomenclaturas professem :


"O ensino precisa dar aos discentes razões para que estes possam alimentar um espírito crítico competente para identificar a realidade e estabelecer identidades. Einstein já advertia, há décadas, sobre a decadência da educação normativa afirmando que ela criava "robôs" e não homens capazes de racionar. Em Contabilidade o que é deveras importante não é apenas informar, nem saber como se informa, mas, sim o que fazer com o que se tem por informação."



Afinal quem escreveu tudo isso estava revoltado após voltar de alguma palestra no CRC SP ? Não !

O professor Antonio Lopes de Sá foi um escritor e contador brasileiro da área das ciências sociais e filosofia do comportamento humano.

Possuia doutorado em Ciências Contábeis e foi doutor honoris causa, em Londres. (sem ser político, o que invalidaria os títulos )

Embora tenha falecido em 2010, já idoso, ou velhinho, nasceu em minha carreira pouco antes disso.

A ele dedico minhas aulas de contabilidade adaptadas às ciências sociais.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

O plebiscito no Pará

O plebiscito no Pará refletiu a vontade do povo. Principalmente do povo que está na capital do estado, Belém. Certamente a divisão do Pará criando mais dois estados acarretaria mais despesas aos cofres públicos e todos aqueles problemas que acompanham a gestão do erário público no Brasil.
Vale ressaltar que o fator decisivo para que não se dividisse o Pará em três estados, foi a votação dos eleitores da capital Belém. Evidentemente, conforme a Constituição Brasileira, a maioria decidiu e o assunto está encerrado. Porém, é preciso destacar que o resultado deste não reflete a igualdade de direitos naquele estado.
Embora rico em recursos naturais o Pará é uma região com baixo índice de desenvolvimento humano, principalmente nas regiões do interior, onde a infra-estrutura, a saúde, educação e moradia são recursos escassos e precários, enquanto a malária é algo “comum”.
O que se viu nesta votação não foi a “justiça” social através do voto popular, mas sim, a “defesa” dos interesses daqueles que não querem perder seus privilégios em ser a capital do Estado.
Por outro lado, é catastrófico ter como fundamento para a defesa da criação de dois novos estados, o argumento de que é preciso “dividir” para governar melhor. Em resumo, como de costume, o governo assumindo sua ineficiência recorrente.
Com certeza a solução para minimizar as desigualdades naquele estado e em muitos outros locais do Brasil, não é a divisão, a criação de estados e aumento da máquina pública, criando cargos e mais absurdos com o dinheiro público, mas sim, que a população se articule e exija que o governo propicie as condições necessárias a uma vida digna. Isso deve ser uma prática, independentemente do tamanho territorial da região.
A sociedade até pode se sentir satisfeita pelo fato de não terem criado dois novos estados, mas não pode deixar de pensar e agir por aqueles que lá estão, lá... bem distante, nos sertões paraenses, onde o governo é ausente e o coronelisno tão presente quanto a malária.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Preocupação ambiental ou sofismo?

Certamente a ação do homem provoca impacto ambiental há muito tempo. Isso não é nenhuma novidade.
Entretanto a maneira como o assunto vem sendo tratado ultimamente é, de fato, uma preocupação, talvez, maior que a gênese do problema.
O Brasil, na última metade do século XX, era, sem dúvida, um país “rudimentar” em diversos aspectos. Não havia a aplicação e difusão de conhecimento, tecnologia, informática e, muito menos, consciência ambiental.
Inúmeras famílias foram incentivadas a ocupar as regiões mais remotas do país à época sob a tutela do Estado, onde eram plenamente motivadas a prosperar através da exploração dos recursos naturais na “chamada” amazônia legal.
Não haviam estradas, hospitais, escolas , aeroportos e rodoviárias. Era, enfim uma região desprovida da mínima infraestrutura necessária à existência digna do homem.
Quem vive nas grandes metrópoles brasileiras e não conheceu a região nessa época, certamente não sabe o que ali ocorria.
Claro que com tanta informalidade e a sociedade “jogada” à própria sorte, muitas leis foram infringidas, inclusive as ambientais, pois é na ausência do Estado que a “baderna” prospera.
Evidentemente que os danos ambientais precisam ser reparados ou amenizados, assim como a legislação precisa ser alterada a fim de atender às atuais demandas da sociedade, principalmente, na produção e acesso aos alimentos. O que não justifica a “inquisição” que os produtores rurais e as pessoas que do seu meio depende vêm sofrendo.
Parece ter se tornado um “modismo” urbano defender o meio ambiente. Todo mundo acha “bonitinho” dizer que se preocupam com as florestas, os rios, os animais e o clima. Na verdade a maioria quer mesmo é posar de “bom” moço e contemporâneo.
O Brasil necessita de um marco regulatório na questão ambiental, mas que promova o desenvolvimento sustentável.
Para isso a sociedade urbana precisa compreender a importância do homem do campo, parar de criminaliza-lo e, principalmente, cobrar que as instituições de controle sejam, de fato, eficientes.
É difícil um país essencialmente produtor de commodities ter estradas duplicadas e excelentes nos destinos de veraneio e àquelas por onde sua produção escoa, totalmente inviáveis.
O agronegócio cresceu? Com desmatamento sim, mas também, sem estradas, hospitais, etc, etc e etc.
É possível preservar? Claro, mas não sem produzir.
Cuidado com a “moda” do ambientalmente responsável...Será que você é?

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

A democracia e a política no Brasil

Na prática, ou deveria ser, um sistema democrático é aquele regime em que o governo emana do povo. Porém, há que se distinguir que democracia não é sinônimo de baderna e nem tão pouco aquela bagunça onde “todo mundo” manda. É preciso estabelecer regras, normalmente na forma de leis e demais instrumentos jurídicos que venham garantir a sustentação de uma forma de governar justa e honesta, onde prevalecerão os direitos civis e os anseios da maioria da população.
O surgimento da democracia ocorreu na Grécia antiga com o objetivo de servir como alternativa à tirania.
O Brasil é declaradamente um Estado de Direito Democrático, porém reforço, declaradamente.
Acompanhando o que vem ocorrendo na política brasileira e a atuação do Estado como agente regulamentador do sistema, é possível compreender que o Brasil tem muito a avançar até que, de fato, seja uma democracia de verdade.
Segundo dados do TSE, atualmente o Brasil possui 29 partidos políticos registrados. Também mantém 38 ministérios.
É inegável a associação destes dados com o fracasso governamental em proporcionar ao cidadão o justo retorno aos significativos valores recolhidos aos cofres públicos através de todos os tributos pagos.
Tal número de partidos políticos não reflete uma pluralidade de opinião, mas sim, uma “colcha de retalhos” político-partidária onde seus integrantes fazem disto um mecanismo de negociatas e “pula-pula” atrás de cargos, favores, lobby e etc.
Assim como ocorre com os partidos. Inúmeras posições ministeriais servem como “agradecimento” a apadrinhados políticos pela sua “lealdade” e colaboração, sejam estas em campanhas eleitorais ou nas votações do Congresso.
Você que trabalha assiduamente e de maneira dedicada no seu emprego, sabe que é bem mais satisfatório e agradável quando cresce profissionalmente através de seus méritos. É que chamaríamos de meritocracia, isto é, suas aptidões e know-how¸ passam a fazer a diferença. Assim também deveria ocorrer nas posições do Estado ao indicar ministros e demais cargos estratégicos.
O “loteamento” de cargos nas esferas federais, estaduais e municipais, são, sem sombra de dúvida, um dos principais adversários à democracia no Brasil.
Ao acompanhar os recorrentes escândalos na política brasileira e o corporativismo com o qual estas ações são tratadas pelos agentes que deveriam coibi-la, é normal deixar o ceticismo tomar conta, e parar de acreditar que a democracia de fato aqui exista. Pois é comum, se trocar seis por meia-dúzia quando surge um novo escândalo na política e tudo vai para o esquecimento.
A idéia neste, não é dar uma “nova” definição à palavra DEMOCRACIA, nem tão pouco, reinventar a roda, mas sim, provocar a reflexão sobre o atual momento que as instituições político-governamentais passam.
Não é possível uma sociedade pagar tantos tributos, não ter retorno compatível e, o pior, é esta mesma sociedade ver o péssimo uso do dinheiro público e ficar calada, inerte a ponto de não se manifestar a respeito. A sociedade precisa reagir. Cobrar dos governantes ações justas, práticas leais, respeito, responsabilidade e, acima de tudo, o dever de entender que o povo é quem demanda pelo que paga e não o contrário. O povo não deve pagar por privilégios de poucos, mas sim, pelo bem-estar da maioria.

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Espaço Aberto!!!

Aqui está...
Espaço aberto para ideias e ideais, reflexões e convicções.
Espaço aberto para compartilhar informações de maneira democrática.


Espaço para nós...

E que venham as postagens!